
Já não há tempo para escrever poesia
Nem vírgula ou ponto, te conto! Nem linha
Sobra a vontade, a minha
De poetizar, sozinha
Sonhos que se perdem no travesseiro
Nem sempre encontram caminho de volta
Espero, feito mãe preocupada
Que aquele, o mais rebelde
Volte pra casa
Boas idéias, de aborrecidas pelo descaso
Confundem em mim tempo, direção, compasso
Me esforço e me acho
E volto no ritmo, no primo e no trato
[Hoje...]
Não como, engulo
Não durmo, cochilo
Não grito, sussurro
Não choro, suspiro
Mas me faço sorriso, di-a-ri-a-mente
Pra provocar o medo e o perigo
Que se sente quando se vê
Que a vida, às vezes, corre da gente
Acontece que mais rápida que ela
É a filha que ela pariu
Que de tão maluca e sutil
...
Escolheu ao invés das pernas,
As asas...
PS: Foi Guimarães Rosa quem me ensinou “viver é perigoso”.




